Àwárí

Dúvidas? Escreva:

Participe da segunda edição do

Àwári - Seminário de Cultura Popular de Matrizes Africanas!

Agora você pode inscrever trabalhos de pesquisa acadêmica e artística. Leia o edital aqui e saiba como 

II SEMINÁRIO DE CULTURA POPULAR

DE MATRIZES AFRICANAS

07 a 11 de novembr de 2016

II ÀWÁRÍ - 2016

Realização: 7 a 11 de novembro de 2016

SINOPSE DAS ATIVIDADES

CONFERÊNCIA DE ABERTURA

Doença e Cura na Religião Umbandista


José Guilherme Magnani*

Segunda-Feira - das 19h às 20h30

*José Guilherme Magnani é professor livre-docente em Antropologia Social na Universidade de São Paulo e coordenador do NAU (laboratório do Núcleo de Antropologia Urbana da USP). Suas pesquisas, ligadas à antropologia urbana, tem como ênfase a pesquisa de campo, com observações participantes e etnografias. É autor, dos livros "Da Periferia ao Centro", "Festa no Pedaço", "Umbanda", "O brasil da Nova Era" e "Mystica Urbe", dentre outros; organizador de coletâneas como "Jovens na Metrópole" e autor de diversos capítulos de livros e artigos em periódicos especializados em Antropologia.





PALESTRAS

Quando a Punga é no Terreiro: laços e encontros entre o tambor de mina e o tambor de crioula em São Luís do Maranhão


Calliandra Ramos*

Segunda-Feira - 13h às 14h30

O tambor de mina, maranhense tem sido desde muito tempo vinculado a inúmeras manifestações culturais populares tais como a festa do divino espírito santo, o bumba-meu-boi e o tambor de crioula, manifestações estas que muitas vezes se produzem e tomam forma dentro dos terreiros. Dentre essas relações travadas entre a religiosidade do tambor de mina, suas trocas e fluxos dispostos em espaços diversos, destaca-se aqui a proximidade e relação com grupos de tambor de crioula, muitos desses oriundos das vizinhanças dos terreiros ou ligados religiosamente a estes em maior ou menor grau.

Percebo que essa relação, ainda que contingente, constitui um aspecto essencial da religiosidade afro-maranhense: sua diversidade de elementos e profundas vinculações com manifestações culturais afro-brasileiras. Considerando a riqueza de elementos das festas de tambor de mina, sobretudo em um terreiro da capital São Luís: (Terreiro Mamãe Oxum e Pai Oxalá, pretendo refletir sobre as relações existentes entre os dois tambores, partindo da observação de festas e rituais onde a presença da roda de tambor de crioula se manifesta bem como das narrativas e histórias referentes a esses vínculos expressadas por brincantes e filhos de santo, atentando para a maneira com que essas relações também perpassam seus diversos agentes.

A partir dos aspectos acima relatados, este trabalho pretende compreender os laços e encontros existentes entre o tambor de mina e o tambor de crioula a partir da presença desta última manifestação em festas e rituais de tambor de mina, compreendendo de que maneira a Punga, isto é, a dança e o toque do tambor de crioula, se incorpora ao ethos religioso e social dos terreiros de tambor de mina, compondo um cenário amplo de relações, socializações, afetos e trocas culturais que possivelmente denotam novas dinâmicas no contexto religioso afro-maranhense.

*Calliandra Ramos: Mestranda no Programa de Pós Graduação em Antropologia Social da Universidade de São Paulo (USP), sob orientação do Professor Dr. Vagner Gonçalves da Silva (PPGAS/USP). Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Maranhão, sendo integrante do Grupo Religião e Cultura Popular (GPMINA). Interessa-se pelos estudos da religiosidade afro-brasileira na contemporaneidade, sobretudo o Tambor de Mina e Candomblé, concentrando sua pesquisa em São Luís do Maranhão. Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia das Populações Afro-brasileiras, etnicidade e antropologia urbana.




Protagonismo e Resistência: Mulheres Negras construindo redes e territorialidades na São Paulo oitocentista e pós abolicionista


Marcelo Vitale*

Quarta-Feira - 13h - 14h30

A presente palestra tem como objetivo central trabalhar historicidades e memórias invisibilizadas no imaginário da cidade de São Paulo, tendo por foco as trajetórias de mulheres negras. Portanto, a apresentação sugere um itinerário que apresenta esse enfoque, passando por lugares simbólicos e instrumentalizando fotos, jornais e transcrições de processo criminais que apontam a existência das mulheres negras, bem como os diversos papéis históricos e protagonismo que as mesmas exerceram dentro das organizações afro-paulistanas, bem como em relação a cidade como um todo. Apresenta-se, assim, as condições heterogêneas de experiências de gênero das mulheres negras ao longo do XlX e início do XX, possibilitando vislumbrar a conformação da cidade de São Paulo por óticas que foram silenciadas pela história oficial, monumentos e projetos urbanísticos.

*Marcelo Vitale Graduado em História pela Universidade de São Paulo e mestrando no Programa de Pós Graduação do DIVERSITAS USP, onde pesquisa história de mulheres negras no pós abolição em São Paulo, sob orientação de Maria Cristina Cortez Wissenbach, professora de História da África da USP. Idealizador e Coordenador Pedagógico do curso Afro descendência Plural e Ativa no Brasil: Desconstrução e reconstrução das historicidades das populações negras em São Paulo, primeira edição, contemplado pelo edital PROAC nº 29/2014 - Proteção e Promoção das Culturas Negras. Coordenador do curso História e Culturas Africanas sediado no NCN-USP. Coordenação da Semana da Memória, Cultura e Resistência: As lutas do povo negro no departamento de História da USP, mediou as mesas: Culturas Afro- Brasileiras e Suas Dinâmicas de Resistência e Mulheres Negras em suas Múltiplas agências. É membro do PIBID - Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID, linha de atuação: História da África e afrodescendente, história indígena e relações de gênero, orientado pela Professora Doutora Antônia Terra Calazans Fernandes.




Gênero, Sexualidade: as muitas faces do racismo mercantil


Jaqueline Moraes Teixeira*

Quinta-Feira - 13h - 14h30

*Jaqueline Moraes Teixeira é doutoranda em Antropologia Social na Universidade de São Paulo (USP) onde obteve o título de mestre em Antropologia, tendo sido financiada pela Fapesp. Possui graduação em Ciências Sociais (USP) e graduação em Teologia (Faculdade Batista e Universidade Presbiteriana Mackenzie). Participa do grupo de estudos sobre Antropologia, Religião e Política tendo como tema de pesquisa a relação entre direitos reprodutivos e igrejas de tradição neopentecostal. É pesquisadora vinculada ao NAU-USP tendo como temática específica a religiosidade no contexto urbano, e ao Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento, onde desenvolve pesquisas sobre educação, religiões e gênero. Tem experiência na área de Antropologia, Antropologia da Religião e Antropologia Urbana, atuando principalmente nos seguintes temas: Religião, Gênero e Movimentos Sociais.




Eu Sou Negro Sim, Como Deus Criou: religião e identidade étnica


Rosenilton Oliveira*

Terça-Feira - 19h às 20h30

*Rosenilton Oliveira: Doutorando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo e pela Ecole de Hautes Etudes en Sciences Sociales (Paris/França). Mestre em Antropologia Social pela USP (2011); especialista em Gestão Escolar pela Universidade Iguaçú/RJ (2007) e Graduado (Bacharelado e Licenciatura) em Filosofia pela Universidade de Sorocaba/SP (2005). É pesquisador do Centro de Estudos de Religiosidades Contemporâneas e das Culturas Negras (CERNe-USP); do Laboratório do Núcleo de Antropologia Urbana da USP (Lab/NAU/USP) e do Institut des Mondes Africains (IMAF/EHESS, Paris). Foi professor convidado de antropologia na Universidad de Salamanca (Salamanca-Espanha, 2013). Integra a comissão editorial da revista PONTO.URBE. Atualmente desenvolve pesquisa sobre identidade, religião e políticas públicas com recorte étnico racial. Tem interesse nos temas: catolicismo, religiões afro-brasileiras, igrejas evangélicas, identidade, artes e ética.




Que África é essa? Desconstruindo mitos, estereótipos e exotismos


Amanda Santos*

Quarta-Feira das 18h30 às 19h30

Esta oficina abordará, as questões da funcionalidade dos cânticos do ritual do candomblé da nação Ketu em diferentes situações, mais específico o ritual da festa pública. Utilizando da rítmica percussiva do atabaque para fortalecer o cântico, pretende-se apresentar a diversidade e riqueza principalmente musical desta tradição afro-brasileira.

*Amanda Santos: Bacharela em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (USP) com intercâmbio realizado na Universidade Eduardo Mondlane (UEM) em Moçambique, mestranda no Programa de Pós-graduação em História Social (USP) com pesquisa sobre gênero e colonialismo. Foi bolsista no programa de cooperação internacional da Fundação Cultural Prussiana no Museu Etnológico de Berlim, Alemanha. Trabalhou como educadora no Museu Afro Brasil, onde hoje exerce a função de Auxiliar de Coordenação do Núcleo de Educação. Foi gestora de conteúdo e formadora no ÍRÈTÍ - Formação em cultura negra para Educadores projeto que concebeu e já coordenou e que é implementado com recursos do ProAc da Secretária de Cultura do Estado de São Paulo, formando interessados nos temas relativos à História e Cultura africana e afro-brasileira.





VIVÊNCIA

Partilha: quando o "eu" se torna "nós"


Thiago Cohen

Quinta-Feira das 15h às 16h30

Vivência que tem como estudo as construções em roda. Neste encontro trabalharemos alguns procedimentos criados e aprendidos no decorrer da pesquisa em dança contemporânea, tendo a dança popular como caminho de criação. Venha aberto para experienciar uma vivência coletiva com dança, canto e poesia.





MESA REDONDA

Corpo, Arte e Representação: Carnaval e Teatro Negro


Sexta-Feira - 15h - 16h30

Felipe Oliveira*

João Terra**

*Felipe Oliveira é mestrando em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador do Centro de Estudos de Religiosidades Contemporâneas e das Culturas Negras (CERNe-USP) e do Laboratório do Núcleo de Antropologia Urbana. Mestre-sala da Unidos do Parque Aeroporto (Taubaté-SP), atualmente, pesquisa a transmissão e apreensão de conhecimento do bailado de casais de mestres-salas e porta-bandeiras em São Paulo (SP). Tem interesse nos temas: carnaval, samba e políticas públicas de patrimônio.

**João Terra é mestrando em Antropologia Social da Universidade de São Paulo, pesquisando teatro negro contemporâneo na cidade de São Paulo. Possui graduação em Direito pela Universidade de São Paulo. Trabalha como Analista de Políticas Públicas e Gestão Governamental na Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial da Prefeitura de São Paulo.





RODAS DE CONVERSA

Fórum de Artes Negras e Periféricas





A Casa de Odéssè: culinária Afro Brasileira






APRESENTAÇÕES ARTÍSTICAS

Banzo


Agô Performances Negras*

Quinta-Feira - das 19h30 às 21h

Banzo ​é uma contação de estória performática que através da legitimação, valorização e conscientização da história dos negros no Brasil, propõe diálogos e interações com o público buscando difundir uma arte negra contemporânea, com raízes e práticas afetivas e ancestrais através de fragmentos de imaginários negros, tendo como ponto de partida o BANZO, nome dado ao sentimento de nostalgia, tristeza, saudades de sua pátria, costumes familiares e principalmente de sua liberdade, que os negros africanos escravizados sentiam ao serem tirados de seu país de origem. Há a presença performática de cinco artistas negros em cena, com marcas, elementos e experiências diaspóricas, onde suas histórias/corpos são discursos e memórias de extrema potência, tanto estética quanto social.

Ficha Técnica:

Estória de: Wil Oliveira

Performers: Mariana Miguel

Vanessa Soares

Wil Oliveira

Criação e direção coletiva

Duração: 60 minutos

Cidade: São Paulo ­ SP

Contato: ago.performancesnegras@gmail.com

facebook.com/AGÔ­Performances­Negras

*Agô Performances Negras: O grupo, que existe há mais de 8 anos, mescla elementos de dança, música, teatro e contação de estórias em seus diferentes trabalhos.




Terra de Caboclos


Piéra Varin e André Santos

Quarta-Feira às 21h

Pelo alto da serra, onde estrela encruiza, a vida se celebra

vive de paz, vive de guerra

quem são?

quem são?

7 flexas, Arubá, de pena, de lança, Arreiamá

Jurema, Jacira. Flor da mata. Juçara. Jaci. Guaciara. Amarrador de feiticeiro. São Pedro. Rompe-mato. Cobra coral. Mata-virgem. Rei do Arerê. Arranca-toco. São Sebastião. Você me chama caboclo, eu não sou caboclo não/ O sol que me queimou lá em cima, no sertão. Tupinambá. Tapuia. Arruda. Caboclinho. Caçador. Caboclo segura a lança na mão/ E a alma ele lança pra se encontrar. Cravo branco. A cabocla de pena ela dança assim com seu rosário. Caboclo d’água. Rei do Panaía. Caboclo roxo. Rei da mata. Pena branca. Odé. Oxóssi. Tibiriçá. Pedreira

Pisei da Terra de Caboclo.

Ficha Técnica:

Criação, performance e direção: André Simões e Piéra Varin (Um Pelo Outro)

Preparação: Alício Amaral e Juliana Pardo (Cia Mundu Rodá)

Provocação Artística: Carolina Nóbrega

Figurino: Socorro Simões

Fotos de divulgação: Roberto Oya

Brincadores que fizeram parte desta pesquisa: Paulo de Ewà (São Luís/MA) e Ronaldo Souza (Nazaré da Mata/PE)

Página no facebook: Um pelo outro - Dança e Performance

Email: upo.caboclo@gmail.com




Ilé Ti Orun


Grupo Ewé*

Terça-feira - 21h

O Espetáculo de dança Ilé ti Orun (casa do céu) é um espetáculo musical cuja construção cênica e coreográfica baseia-se nas qualidades dos orixás e seus arquétipos. Baseado no livro ‘Mitologia dos Orixás’, de Reginaldo Prandi, sociólogo e escritor, são representados vários momentos das histórias dos Orixás, ultrapassando a relação da movimentação de suas danças e permeando suas histórias. A encenação a ser epresentada é uma versão reduzida do espetáculo, trazendo os orixás Ogum, Odé, Oyá , Yemanjá, Omulu, dentre outros.

*Grupo Ewé: Grupo de estudos da cultura afro-brasileira para fins artísticos, que reúne bailarinos e artistas diversos, em estudos de danças, músicas, literatura e costumes brasileiros com influência africana. Coordenado e dirigido por Luiz Anastácio, o grupo busca transmitir, através de seus espetáculos, os resultados de seus estudos, almejando o estreitamento do público com a arte e cultura afro-brasileira.





EXPOSIÇÕES

Escultura Cinética: o sistema simbólico dos orixás


Ian Muntoreanu

A tentativa de entender o sistema simbólico dos orixás traz em si um grande esforço de reflexão. Reflexão esta que não se resume apenas em tentar entender a estrutura que compõe esse sistema, como também a complexidade da própria existência humana.
Assim como os orixás, humanos possuem uma intrincada rede de conexões e simbologias pessoais e interpessoais que muitas vezes superam nossa compreensão. A proposta desta escultura cinética é, a partir do sistema simbólico dos orixás, criar uma reflexão sobre a teia de relacionamentos e símbolos que todos temos em nossas vidas.




Yabás: Majestuosidades das Deusas africanas do Candomblé


Gabriel Gomes dos Santos

Yabás são as Deusas do gênero feminino cultuadas na religião de matriz africana Candomblé. Poderosas, misteriosas em seus fundamentos e especificidades. Entender as Yabás profundamente é como querer conhecer todos os mistérios da vida e acreditar em sua força é como querer estar sempre amparado pela própria mãe carnal em si.

O projeto Yabás transita pelo imaginário religioso e místico do Candomblé, se constrói através de reflexões durante o processo de pesquisa e criação.