Rafa Araujo

Luvemba - Morte

 

Sobre minha super heroína

 

“É uma supergirl. Ela consegue voar. Tem lindas asas da cor do arco íris que se misturam com um maravilhoso costeiro. Um dos poderes é navegar em várias temporalidades. Consegue voar no presente, passado e futuro. Ela interage e consegue modificar qualquer um dos tempos. Ela consegue modificar o passado e modificar o futuro, alterando o presente. Ela tem um poder bem próximo da Tempestade. Ela tem uma enorme força, segurança e autoestima, quando chega movimenta tudo ao seu redor. Ela traz o vento e os trovões. Ela não tem o poder de persuadir as pessoas. Como ela tem essa limitação de persuasão, ela finge que essa é a maior virtude dela, mas é a sua maior dificuldade. As pessoas ficam com medo dela usar essa persuasão, que ela finge ter, mas não tem. Ela é a única que sabe desse temido segredo que pode levá-la a destruição. Ela é também uma rainha, está sempre montada, com uma coroa maravilhosa na cabeça, glitters em toda parte do corpo, sempre de salto alto e muito bem maquiada. Ela é muito rápida e veloz, mesmo de salto alto, consegue ser mais ágil que o “The Flash” mesmo usando maravilhosos sapatos altos. Ela é uma drag queen heroína atemporal. Já nasceu com super poderes, herdou das suas ancestrais, e é a guardiã desse enorme poder que ela representa. Tem a missão de assegurar esses poderes e manter a paz e amor no mundo. Viaja para todos os lugares, onde precisar da sua ajuda, ela estará lá”.

 

Foi assim que descrevi minha heroína no encontro que tivemos com o grupo online. Evocar esses poderes e desejos são formas de repensar e reconstruir o meu estar no mundo. Ao evocar essa heroína, eu mato o que depositaram para mim, para meu corpo, por muito tempo, e por mais que um dia eu tenha acreditado que isso era meu, nunca foi. Esses estereótipos criados para inferiorizar os povos de descendência indigena e africanos nunca nos constituíram nas nossas profundas essências.

 

O meu tempo é o tempo do agora.

 

Enquanto falava sobre minha heroína, o Thico, que também faz parte do grupo, desenhava minha super heroína sem eu saber ou mesmo perceber. Após a reunião, ele compartilhou comigo o desenho, eu achei incrível demais e fiquei muito feliz com esse maravilhoso presente.